FILME HER E O ENTORPECIMENTO DA DOR
- Psicóloga Mayara T. Barbosa
- 3 de nov. de 2017
- 2 min de leitura
Filme bom é aquele que fica dando "replay" na mente mesmo depois de dias e que principalmente nos faz refletir sobre questões importantes da vida.
Ela (Her) é um destes casos. Numa mistura de ficção científica e romance nada convencional, Theodore enfrenta o difícil término de um casamento, e em meio a toda a sua confusão interior começa a se relacionar com Samantha, um sistema operacional altamente tecnológico que corresponde às emoções humanas; sua programação permite se adequar aos gostos, características e até a interpretar as emoções de seu usuário.

Apesar de o filme se passar no futuro, o que mais chama a atenção é a forma de enfrentamento de nosso protagonista, que se remete a algo muito atual: a necessidade de que tudo seja prático, rápido e indolor, até mesmo o sofrimento humano.
Theodore preenche o vazio da solidão com uma solução ilusória: utiliza-se de uma ferramenta virtual que se molda às suas necessidades; porém isto o impede de lidar com os problemas, de fato. Se fôssemos nos basear em Freud, Theodore estaria experimentando a ilusão para evitar o desprazer, porém isto estaria o impossibilitando de lidar com a realidade que o cerca.
Por um bom tempo esta solução é extremamente real para Theodore, pois estaríamos falando de sua própria percepção, portanto, somente quando Samantha o deixa, ele começa a entrar em contato com a realidade e a construir uma forma de enfrentamento mais consciente: se desculpa com a ex-esposa; reconhece seus erros e se ampara à melhor amiga, que até então era a pessoa mais próxima e que provavelmente ele não tivesse tanta noção disto.
Her é um filme sensível que toca em questões tão presentes e nos faz refletir que todo ser humano é repleto de desejos, sentimentos e potencialidades, assim como os companheiros que encontramos no decorrer da vida, entretanto, não há um botão de liga/desliga para os problemas, tampouco uma solução prática para lidar com os conflitos, por isso cada um constrói seus caminhos de acordo com sua própria experiência para então poder ir ao encontro da melhor forma de lidar com as situações, ou seja, a capacidade de se autoconhecer e ampliar a consciência.
Talvez o “clímax” disso tudo seja que na vida real não há roteiro a seguir, nem elenco a escolher, apenas a improvisação que consiste em aproveitar os momentos bons e crescer com os que não são tão bons assim.









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